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0 Poema Sujo, de Ferreira Gullar

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Hoje, no Clássicos, falamos sobre Poema Sujo, o mais conhecido poema de Ferreira Gullar, também considerado um dos mais importantes do último século.


Poema Sujo é um dos mais importantes poemas do século XX, escrito pelo Maranhense Ferreira Gullar, pseudônimo de José de Ribamar Ferreira.

Foi escrito em 1975, enquanto Gullar estava exilado em Buenos Aires, depois de ter sido exilado, também, em Moscou, Santiago do Chile e Lima.

Nasceu da necessidade de Gullar registrar o seu último poema. À época, momento tenso no Brasil devido ao golpe militar uma década antes, em 1964, militares brasileiros tinham a autorização de entrar em Buenos Aires para capturar os exilados.

Diariamente, cadáveres eram achados, pessoas desapareciam. A sensação de segurança, que antes já era quase impensável, naquele momento fez-se nula.

Gullar, antes disso, já havia tentado escrever sobre o tempo que passou em São Luís do Maranhão em prosa poética, em crônicas e contos, mas nunca obtivera sucesso. Nunca havia tentado a poesia, pois não achava que fosse o estilo correto, com espaço necessário, para tal relato.

No entanto, diante de tal repressão, Ferreira, em maio de 1975, põe-se a escrever o Poema Sujo.

Nele Gullar fala de saudade, de vontade e de detalhes. Poema Sujo é uma descrição exata da cidade maranhense pelos olhos do poeta. Sem mais nem menos. Não há eufemismos descabidos, nada é diminuto. Tudo o que se lê é verdadeiro, pulsa e faz crer que aquela é a única visão que se pode ter da cidade.

São poemas dentro de poemas. Trechos que, aparentemente não se relacionam, mas que se mostram exatos ao término de sua leitura. Vemos a cidade, as pessoas, as noites. Detalhes tão ricos, tão vividos, que há uma viagem, uma necessidade de estar, de partilhar a dor e a saudade.

Segundo o próprio autor, o poema nasce da necessidade de vomitar tudo o que o comovia. Exilado e sem ter muitas ocupações, qualquer coisa que tocasse, e que o lembrasse de sua terra, tornava-se poesia, tal como a um Midas.

O poema foi escrito entre maio e agosto de 1975, sendo publicado no Brasil, com a ajuda de uma intensa campanha de Vinicius de Moraes, em 1976. Foi por conta dele que  Ferreira Gullar pode voltar ao Brasil, depois de grande comoção entre artistas, jornalistas e o regime militar vigente.

Poema Sujo é um poema necessário, há que se ler para entender a saudade, o detalhe, a vontade de regresso.



SOBRE O AUTOR

Ferreira Gullar nasceu em 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luís do Maranhão. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 21 anos, depois de ter vencido concurso de poesia promovido pelo Jornal das Letras, ainda em São Luís.

Já no Rio, começou a colaborar com revistas e jornais, inclusive como crítico de arte. Com A Luta corporal, livro de 1954, abre caminho para a poesia concreta, grupo do qual participou e do qual rompeu para a criação do neoconcretismo, em 1958. Organizou, liderou e redigiu o manifesto do grupo, o famoso ensaio: Teoria do não objeto.

Vencedor de grandes prêmios, destacam-se o Prêmio Jabuti; prêmio pelo conjunto da obra da Fundação Conrad Wessel de Ciência e Cultura; Machado de Assis, da ABL; e o Prêmio Camões, considerado a maior premiação para escritores de língua portuguesa.

1 A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro

terça-feira, 9 de abril de 2013


"Não importa que me acreditem, mas só digo a verdade - mesmo quando ela é inverossímil."

E é assim que Mário de Sá-Carneiro inicia uma das novelas mais marcantes do modernismo português: A Confissão de Lúcio.


A confissão de Lúcio data de 1914 e foi escrita por Mário de Sá-Carneiro, um dos grandes poetas portugueses da virada do céulo XIX/XX. Envolto em ares que lembra muito Lolita, de Nabokov, o escritor começa a novela do fim para o começo.

O narrador-personagem, Lúcio, começa afirmando ser inocente do crime de assassinato a que fora condenado dez anos antes. Segundo o personagem, aquela não é uma novela, mas sim um relato claro dos fatos, mesmo que eles não pareçam ser reais. A partir de então, começa a contar detalhadamente a sua história desde quando conhecera a suposta vítima, Ricardo, até o dia do crime.

A novela passa-se alternadamente entre Portugal e França de 1895. A princípio, Lúcio não relaciona-se diretamente com Ricardo. Sabe-se deste a partir de Gervário Villa-Nova, grande escultor português de que Lúcio tem amizade. Portanto, pode-se dizer que a novela ganha segunda parte e virada na história a partir do momento que Lúcio conhece Ricardo na França, por intermédio de Gervásio.

É uma época em que os artistas, muitos deles, discutiam qual era a validade da arte e o que podia ser considerado arte. Num enredo mágico, os personagens instigam-se, provocam-se e se alimentam das dúvidas e dilemas dos outros. É exatamente por isso, pela identificação de gostos e pensamentos, que Ricardo e Lúcio tornam-se amigos.


Nesta dita segunda parte, há um tom muito inerentemente homossexual. Lúcio e Ricardo são melhores amigos, precisam estar sempre juntos e quando não estão, pensam um no outro. Suas vontades são as mesmas, as ideias e as particularidades defeituosas, também. Andam tão juntos que é a partir deste momento que o escritor começa a dar ares de que talvez tudo o que parecia ser até então, não era de verdade.

Em dado momento, um dos pontos altos da novela, Ricardo afirma ser impossível apaixonar-se, porque da paixão seria impossível retirar tudo que ele realmente aprecia: o outro em seu ser completo. Ricardo continua afirmando que um beijo, para ele, seria como comer o outro, sorver da boca algo muito maior que só um beijo.

Ricardo então volta para Portugal e casa-se com Marta. E dá-se início a terceira parte, a mais confusa e alvo de tantas discussões ainda hoje. Marta é considerada a ponte entre Ricardo e Lúcio. Apesar das imensas semelhanças, haviam grandes diferenças e Marta aparece para apaziguá-las, mas também evidenciá-las. A partir de Marta, e desse triângulo amoroso feroz, conseguimos notar como Ricardo e Lúcio são opostos, como se desconhecem e como podem se machucar.

Num final trágico, Lúcio prova sua inocência, mas revela que nunca a fizera anteriormente porque ninguém lhe daria crédito. Lúcio, Ricardo e Marta são personagens audaciosos, vorazes e famintos. Nascem em uma geração que tentava romper bases de criação dos grandes romances portugueses. Uma forma diferente e inovadora de escrever. Uma leitura deliciosa e fascinante, de um escritor que marcou seu tempo e fez bonito.

1 Carta ao Pai - Franz Kafka

terça-feira, 2 de abril de 2013

Escrita em 1919, entre os dias 10 e 20 de novembro, Carta ao Pai é o relato mais sincero e direto entre um filho e o pai. Demonstra toda a tristeza e dominação de um pai que não dá voz ao filho e toda vez que o fez, o cerceou de forma cruel e insensível.


Carta ao Pai, do escritor tcheco Franz Kafka, nasce após o desentendimento do autor com seu pai, Hermann Kafka, sobre a escolha de sua noiva, com a qual nunca se casou. Hermann achava a relação inapropriada já que ela era pobre. Dado o desentimento e depois de tantos anos subjugado dentro de uma casa onde os exemplos sempre foram diversos das ordens, Kafka coloca tudo para fora em uma enorme carta ao pai.

Logo no início perebe-se a dor e a não aceitação do escritor para com a postura de seu pai. Lendo todo o relato, nota-se um Hermann rígido e intransigente, que afugenta Kafka de seus desejos e inclinações. Uma delas, a da escrita. O pai nunca aceitou sua aptidão com as palavras, embora seja verdade que nunca tenha sido favorável a nenhuma das escolhas do filho - nem as decisões profissionais nem as mulheres que Kafka escolheu para se relacionar.


Carta ao Pai poderia passar incólume a todos nós, já que se trata de um relato frio e cruel sobre a própria vida, e não considerado uma novela, mas é a partir dela que se entede o profundo sentimento de exclusão, despotismo e desconstrução do ser que tanto o escritor empregou em seus personagens. O mais célebre deles, Gregor Samsa, homem comum que um dia acorda metamorfoseado em uma enorme barata. A partir de então, a família de Gregor o tranca em um quarto, esquecendo-se que quaisquer relações que havia anterior à metamorfose e tratando-o como a um estrangeiro em sua própria casa.

Lendo A Metamorfose, tendo o olhar crítico de quem sabe da relação do autor com seu pai, percebe-se a grande influência do ânimo do autor em sua novela. Um ser que é intimidado, esquecido, subjugado, trancado; todas as hunilhações e sentimentos a que Kafka fora submetido por seu pai durante a infância, adolescência e a vida adulta.

A influência negativa do pai, no entanto, não abala a admiração que o escritor tem, de certa forma, para o pai, haja vista que no livro Kafka preocupa-se em avaliar a posição de Hermann não só como ser humano, considerado tão desprezível, mas como o pai que provém o futuro e sustento dos filhos.

Carta ao Pai é leitura indispensável para quem gosta da literatura kafkiana e do caos criado por suas novelas e contos. É um relato seco, sujo e pontiagudo sobre a relação de um filho e seu pai, suas vontades reprimidas, suas desavenças mais constantes e o amor que tenta tomar o lugar que merece, mas que não encontra espaço.

AUTOR

Franz Kafka, nascido em Praga, na República Tcheca, formou-se em direito em 1904, tendo trabalho como advogado até o final de sua vida. Pouca coisa fora publicada enquanto o escritor esteve vivo e o resto de seus escritos, confiados ao amigo Max Brod, foram publicados após a sua morte - contrário ao pedido de Kafka, que pediu que todos eles fossem queimados. Nascido em 1883 e falecido em 1924, após uma tuberculose que o acometera sete anos antes, Kafka não se casou, apesar de ter se relacionado com algumas mulheres, e não teve filhos. Não tendo sido reconhecido em vida, após sua morte é considerado um dos grandes nomes da literatura mundial, figurando entre os melhores do século XX.



2 Para sempre Alice

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

"Quando não há mais certezas possíveis, 
só o amor sabe o que é verdade"

O romance conta a história de luta de uma Professora Universitária e Doutora em Psicologia - que utiliza a própria mente como ferramenta de trabalho - contra o Mal de Alzheimer, doença degenerativa que ataca o campo de memorização do cérebro.

Como lidar com uma doença que a ciência atual não é capaz de vencer?


Lisa Genova apresenta uma protagonista guerreira e encantadora. Profissional respeitada, esposa e mãe dedicada e, acima de tudo, um ser humano com medos e receios como todos os outros, essa é Alice, apaixonante do início ao fim, nos comovendo em cada linha da sua trajetória de luta e busca pela superação das novas dificuldades que lhe foram impostas. 

Apesar das características que norteiam a obra para um tom de ar dramático, o termo aventura talvez seja o que melhor se enquadra à obra, tendo em vista as constantes emoções que são experimentadas em sua composição. Uma história que fará qualquer pessoa repensar sobre o que realmente vale a pena na vida. 

Têm coisas que nem mesmo as artimanhas da mente nos farão esquecer. O amor talvez seja uma delas.

Sinopse: Alice sempre foi uma mulher de certezas. Casada e mãe de três filhos já adultos, ela é professora titular em Harvard, uma especialista de renome mundial. Perto de completar 50 anos, Alice começa a esquecer. No início, coisas sem importância, como o lugar em que deixou o celular, até que, um dia, ela se perde a caminho de casa. Um diagnóstico inesperado altera para sempre sua vida e sua maneira de se relacionar com a própria família e o mundo. E, quando não há mais certezas possí­veis, só o amor sabe o que é verdade. De alguma forma e apesar de tudo, Alice é para sempre.

2 Chatô - O Rei do Brasil

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


Bem-vindos ao Universo Chateaubriand.

No fim da década de 90, o jornalista e escritor Fernando Morais publicou uma das biografias mais polêmicas e comentadas do cenário político e comunicacional brasileiro. Também, em se tratando do mito Assis Chateaubriand, não poderíamos menos do que isso. "Chatô - O Rei do Brasil" nos relata toda a trajetória pessoal e profissional deste que foi um dos  homens mais poderosos do século XXI, atuando como um forte articulador político e atravessando diversas gerações de poder e governo no nosso país. 

Chateaubriand foi durante anos sinônimo de jornalismo no Brasil, somando competência à informação. Era também um nome a ser temido por muitos, visto que, concentrava uma grande rede de canais e veículos de comunicação, que por vezes eram utilizados para benefício próprio, buscando realizar algum desejo excêntricos de seu detentor. Atrevido, o jornalista natural de Pernambuco, não tinha medo de dar a cara tapa. Enfrentou a repressão, buscou o direito à liberdade de imprensa, apoiou e fez oposição a diversos governistas, difamou e elogiou muitas personalidades nas páginas de seus jornais, tudo conforme lhe era conveniente.    


Dono do império nomeado por “Diários Associados”, Chatô encontra-se imortalizado nas palavras de Fernando Morais, em uma obra clássica que retrata não só a vida de um ícone das comunicações brasileiras, mas registra também um período da história do país que mesmo com anos de escola não  poderíamos ter conhecido com tanto afinco e riqueza de detalhes. As palavras e acontecimentos, tecidos por fortes declarações, representam uma pessoa que não tinha ‘papas na língua’ e se considerava acima do bem e do mal em algumas situações. O livro vai atraindo a atenção do leitor aos poucos, conforme as páginas vão avançando pelos capítulos seguintes, maior o risco de você se apaixonar pela sagacidade do nosso herói-contrário, ou de sentir raiva e indignação pelos atos do mesmo.

A obra de Morais é leitura obrigatória em alguns cursos de comunicação de renomadas instituições de ensino, principalmente aos graduandos de jornalismo. Rico em lições sobre empenho na (amor à) profissão, investimentos e negócios (riscos e vantagens), arte e cultura, articulação e interesses políticos, amores (desejos e pudores), ética profissional (ou falta de-) e, sem dúvida, superação. 

Claro que não podemos fazer apologias e nem colocar o protagonista em uma posição de santificado, muito pelo contrário, caberá ao próprio leitor julgá-lo ao concluir as linhas finais. Há uma série de observações que podem ser elencadas como pró ou contra às atitudes de Chateaubriand, e esses pontos merecem ser deliberados com conhecedores de toda a sua história. 

Por hora, deixamos aqui a recomendação de um livro que poderá não ser o seu favorito, mas com certeza estará entre os que você lembrará durante muitos anos, seja quais forem os motivos.

0 Histórias da Noite Carioca

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Às vezes é bom pular a teoria e ir direto para a prática".

E é assim que Eric Novello faz com Histórias da Noite Carioca. Não há enrolação, não há escrita devagar. O raciocínio do autor, e por conseguinte do personagem, é rápido e ácido. Lucas Moginie se apresenta de cara e presta contas sobre o porquê está ali, atuando como personagem principal da história. É um escritor com bloqueio criativo, que ele prefere chamar de tédio mesmo, em frente à tela branca do editor de texto, em pleno sábado. Lucas P. Moginie, P., Lucas Paes, são tantas as alternativas que o personagem dá sobre o próprio nome, logo no primeiro capítulo, que você pensa ser mais um detalhe para completar a página. Mas não, Histórias da Noite Carioca é um livro onde os personagens não são maniqueístas e até o seu fim, todos eles mostrarão diversas caras, desejos, e agirão instigados pelo desejo.

Com a ajuda de Tita, amiga de anos que ficara afastada por um tempo de sua vida, Lucas começa a escrever o seu novo livro. Escritor aclamado por falar sobre a noite carioca e as cruezas dos inferninhos que frequenta, o personagem começa a sofrer as consequências de usar as pessoas que o rodeiam como personagem de seus livros. Nada é mais espontâneo como no começo. Agora, todos que chegam perto dele, receiam tornar-se personagens.. E, segundo o próprio Lucas, eles gostam, nada melhor para mover a vaidade humana do que constar nas lembranças de outra pessoa.

Por intermédio de Tita, Lucas conhece Rodrigo, um rapaz de 23 anos, que se oferece como personagem para o próximo livro de Lucas, que ainda não fora começado. As páginas em branco, o bloqueio criativo e a oportunidade de reatar a relação com Tita, fazem com que Lucas se jogue de cabeça em descobrir quem é Rodrigo, o que ele pode dar de interessante para seu próximo livro; quem é o rapaz que ele conhece em um inferninho de Botafogo, em um sábado qualquer?

Histórias da Noite Carioca se desenrola a partir daí. Três pessoas, três desejos e três destinos a serem traçados, que juntos são sensuais e provocantes. Cercado por Lívia, sua empresária dominadora, Mara Malu, sua motorista desbocada e por um casal de vizinhos ninfomaníacos, Lucas dá início ao fim da sua sanidade. E com isso, o começo de um livro provocativo, instigante e muito bem humorado, até a última página.

1 A vida em tons de cinza

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


"No auge do inverno, finalmente percebi que dentro de mim havia um verão invencível." - Albert Camus

Hoje, a CL traz a coragem, a persistência e a fé das personagens apresentadas no livro "A vida em tons de cinza". A beleza da obra já começa pela capa que praticamente resume os sentimentos encontrados entre as linhas a serem lidas. Uma história que tem como fundo o nazismo - responsável pela destruição de milhares de vidas e sonhos - e que nos permite conhecer o lado gélido do cenário principal de toda a trama: os campos de concentração.

O livro, a princípio, parece não atender as expectativas quando nos deparamos com a sinopse. Um ledo engano de quem pensa assim (como muitos que já leram declararam ter pensado). Ele surpreende e prende o leitor a cada página que se inicia e se conclui. A edição favorece ainda mais o prazer em continuar a leitura, com um texto sutilmente espaçado, de forma que o leitor não canse a visão.

A narração é tão tocante e delicada que a história consegue transpassar algumas sensações inexplicáveis. Há quem diga que,  em alguns momentos, é possível "sentir" o frio e o gelo numa forma quase que tangível, tamanha a qualidade da narração. Quanto ao enredo em si, o destaque é para a lição de vida ensinada por meio de personagens tão bem caracterizadas pela autora. 

Crer é a palavra-chave. E não falamos em crenças religiosas, mas sim, na capacidade de acreditar que as coisas podem melhorar, na manifestação do amor incondicional que se mantém forte e serve de apoio ao próximo, na presença da coletividade, da união e do nobre sentimento de generosidade que chegam aos níveis de sacrificar-se o próprio bem-estar para proteger a quem se ama. 

Para quem deseja conhecer o livro um pouco além do que a sinopse relata, fica aqui um vídeo que explica como a história foi pensada e construída. Tenha o prazer de conhecer as lições escondidas entre as páginas de "A vida em tons de cinza". Não deixe de ler!

Sinopse: 

"Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda para sempre seus planos. Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria. Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos.

A vida em tons de cinza conta a história de um povo que perdeu tudo, menos a dignidade, a esperança e o amor. Para construir os personagens de seu romance, Ruta Sepetys foi à Lituânia a fim de ouvir o relato de sobreviventes dos gulags. Este livro descreve uma parte da história muitas vezes esquecida: o extermínio de um terço dos povos do Báltico durante o reinado de horror de Stalin. Para Estônia, Letônia e Lituânia, essa foi uma guerra feita de crenças. Esses três pequenos países nos ensinaram que a arma mais poderosa que existe é o amor, seja por um amigo, por uma nação, por Deus ou até mesmo pelo inimigo. Somente o amor é capaz de revelar a natureza realmente milagrosa do espírito humano."

2 Tudo o que é Sólido Pode Derreter

terça-feira, 18 de dezembro de 2012



Pra quem é fã de literatura e adora quando algo é adaptado para o cinema, já deve ter assistido Tudo o que é Sólido Pode Derreter. A série, produzida pela Ioiô Filmes em parceria com a TV Cultura, foi exibida em 2009 pela emissora e é baseada no curta-metragem de mesmo nome. No filme, Thereza se vê em crise em meio à morte de seu avô e a montagem do clássico da literatura mundial, Hamlet.

Depois do sucesso alcançado, os criadores acharam por bem - para a nossa sorte - transformar a história em uma série de temporada única e treze episódios. Nela, Thereza lida com seus dilemas em plena adolescência, a ausência do avô - a série funciona como continuidade ao curta - e trabalha as grandes obras da literatura brasileira, tais como O Auto da Barca do InfernoOs SermõesOs LusíadasCanção do ExílioSenhoraMacárioDom CasmurroIsmáliaQuadrilhaUma Aprendizagem ou o Livro dos PrazeresQuem Casa Quer CasaO Guardador de Rebanhos Macunaíma. Thereza, aos poucos, percebe que todas as histórias que lê conseguem dialogar diretamente com ela, sua vida e suas dúvidas.

No SITE DA SÉRIE você encontra todos os episódios, os livros que se serviram de base para download e a trilha sonora. Também um pouco mais sobre a série, making of e o blog criado à época.

A Corrente indica muito. A série é linda, sensível e apaixonante!

0 Hora de Clarice

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Hoje falaremos de Clarice, porque da escritora, por mais que já se tenha falado, nunca é demais.

Uma das escitoras mais profícuas e densas do último século, Clarice sabia como ninguém falar das aflições humanas. Clarice se afundou nos próprios sentimentos e desbravou a alma a fim de conhecer o mais improvável do ser humano: a essência.
 
Tema recorrente dos seus livros, o incômodo com o cotidiano, a falta de sensibilidade das pessoas com o cortante que havia se tornado o banal, Clarice, sofreu muito por não se achar uma escritora. Sempre disse que a escrita era uma necessidade, sensorial. E é isso o que se sente com "Perto do Coração Selvagem", livro de estreia da autora. Obra escrita em 1944, na qual ela mergulha na subjetividade da personagem, nas aflições, nos medos e nas superstições. Joana, a peronagem principal faz uma viagem intensa para dentro de si, sem ter a certeza de que voltará a mesma. E não volta.
 
Clarice foi exaltada pela crítica da época pela ousadia e técnica de sua escrita. Hoje, 92 anos desde o seu nascimento e 25 da sua morte, ela consegue manter-se viva na alma dos leitores. São 39 livros, entre romances, contos e coletâneas de seus textos. Atualmente, cinco, entre tantas obras suas, estão sendo traduzidas para o inglês, fazendo com que suas palavras ganhem o mundo e  sua genialidade seja corroborada. Os títulos traduzidos são: Perto do Coração Selvagem, A Paixão Segundo G.H., Água Viva, A Hora da Estrela e Um Sopro de Vida.
 
 
A Corrente Literária homenageia com esse pequeno texto a autora de "A Hora da Estrela" - nosso predileto -, a mulher que criou Macabéa, uma das personagens mais sensacionais da nossa literatura; a mulher que desceu até o fundo de si para vivenciar suas dores, males e angústias. Clarice não voltou a mesma dessa imersão. E é essa é a impressão que se tem ao se ler Clarice.

2 A Rua do Ouvidor

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Corrente Literária vez ou outra tentará entrar no mundo dos clássicos falando sobre os livros, autores e detalhes interessantes relacionados aos grandes clássicos da literatura brasileira e internacional. 
Hoje, a gente fala da rua mais clássica de todos os tempos, a Rua do Ouvidor.



Quem é leitor de Machado de Assis e José de Alencar já deve ter "ido" à rua em um de seus livros. Machado, principalmente, vivencia nos seu escritos a rua como centro de encontro de seus personagens, ambiente para os conflitos e encontros, e cenário para histórias das mais lindas. É de Machado um do contos mais belos e vivenciados ali, "O Livreiro da Rua do Ouvidor". Passaram pela rua Brás Cubas, Bentinho, Fernando Seixas e tantos outros.



A Rua do Ouvidor, que localiza-se na cidade do Rio de Janeiro, começou sendo chamada de Desvio do Mar, por ser caminho da praia até o interior da cidade. Já foi chamada, também, de Rua do Gadelha, Aleixo Manuel, Santo da Cruz, Pedro da Costa. Ganhou o seu atual nome em 1746 porque, à época, residia nela Manoel Amaro Pena, recém-nomeado ouvidor da cidade e por influência popular, o nome ficou. Foi considerada a rua mais importante da cidade do Rio de Janeiro por haver nela as redações dos grandes jornais, livrarias, cafés, centro de encontro de toda a gente que movimentava a cidade quando o Rio de Janeiro ainda era capital da República. Sua concentração de pessoas aumentou muito após 1808 com a abertura do portos às nações amigas, quando o Rio de Janeiro se encheu de comerciantes estrangeiros.
Isso até o final do século XIX. Após isso, a rua perdeu o posto para a Avenida Rio Branco.



A Rua do Ouvidor atualmente faz parte do grande comércio carioca, ligando o Largo de São Francisco à Rua 1º de Março e, apesar de estreita, ainda abriga grande comércio - em sua maioria, loja de roupas e calçados, além de alguns escritórios e botequins.

Se tiver a oportunidade, visite a Rua do Ouvidor, volte ao passado e entre dentro do grandes clássicos.