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3 Uma boneca russa em Rio Grande

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Hoje, no Casulo, a CL conversa com a escritora Daniela Delias.

Nascida em Pelotas, Daniela é formada em Psicologia pela Universidade Católica de Pelotas, doutorada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e trabalha como professora na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), onde mora. Ano passado, Daniela lançou o seu livro de estreia "Boneca Russa em Casa de Silêncios", pela Editora Patuá.
Na entrevista abaixo, a escritora nos conta um pouco sobre seu livro, como funciona seu processo de criação e dá sua opinião sobre a relação internet x novos autores.



Corrente Literária: Você publicou ano passado o seu livro de estreia "Boneca Russa em Casa de Silêncios", pela Editora Patuá. Por que poesia? Qual o significado do título?
Daniela Delias: A minha aproximação com a poesia talvez se explique pela forma como me dedico à leitura do gênero: é uma necessidade. Eu me sinto absolutamente ligada à poesia, à leitura diária de diversos autores e ao desejo de sempre descobrir novos poetas e escritores. Penso que a publicação de um livro de poesia mais de vinte anos após a escrita dos primeiros poemas poderia indicar uma crença em um possível processo de amadurecimento, o qual envolve a escrita. O título “Boneca Russa em Casa de Silêncios” veio de um poema que está no livro, chamado “Dentro”. Há uma parte do poema que diz: “Eu estava aqui dentro, você me ouvia?/ boneca russa em casa de silêncios/ antes do verbo, dentro da carne/ meus tambores apontavam a direção...”. Há inúmeras possibilidades de leitura, mas talvez me referisse, no momento da escrita, a esses tantos dentros que compõem os meus silêncios. Havia lido um conto belíssimo do escritor Assis Freitas, chamado “A intangível”, no qual o narrador fala sobre o amor por uma mulher e do tanto que é preciso andar/entrar até acessá-la: ela está em uma cidade, dentro da cidade há uma rua, dentro da rua há uma casa, dento da casa há um quarto...e por aí vai (risos). Tão dentro, impossível – diz a personagem. Ao mesmo tempo, o que está dentro de um pode ser acessado pelo outro, como ocorre na leitura de um poema. Por mais silenciosa e de difícil acesso que seja a última bonequinha que compõe a Matrioska do meu imaginário, ela toca tambores, tambores que apontam uma direção. 

CL: Qual a temática do livro?
DD: Não sei se conseguiria definir uma temática. Mas creio que muitos poemas que estão no livro falam sobre desejos e esperas, presenças e ausências, palavras e silêncios, e também sobre o ser poeta, sobre o prazer e o desprazer presentes na escrita poética.

CL: Qual seu processo de criação?
DD: O meu processo criativo começa geralmente de uma inquietação, de um desejo. Esse desejo, na maior parte das vezes, associa-se a uma palavra ou frase, mas tenho a impressão de que a palavra seria uma espécie de elaboração secundária de algo que inicialmente não tem nome: uma sensação, sentimento, uma reação às coisas de dentro (tenho a impressão de que, mesmo considerando estímulos externos, o poema só acontece porque se liga ao desejo, ao que está dentro). Eu não chamaria a isso, necessariamente, de inspiração. Para mim, dificilmente um poema surge de forma livre, espontânea, ou como uma psicografia (risos). Há uma espécie de mergulho inicial, e ele só acontece quando consigo vir à superfície para respirar e pensar sobre o conteúdo. E, uma vez iniciado o processo, há um trabalho posterior de lapidação, de cuidado com a palavra. A “inquietação” pode durar vários dias e se transformar (ou não) em versos. De certa forma, reconheço uma rotina na minha criação. Eu preciso estar só e em contato com outras leituras, e normalmente escrevo durante a madrugada, sem os sons do dia. Ainda não trabalhei com uma temática prévia ou com a ideia de textos que podem compor um conjunto. O que escrevo publico inicialmente em meu blog, sem pensar necessariamente que outras publicações o poema poderá ter. Depois de publicados no blog, alguns poemas foram publicados em livro, na Agenda da Tribo e também em revistas literárias muito interessantes, como a Germina, a Mallarmargens e a Diversos Afins, o que considerei uma consequência legal para uma escrita que nasce sem esse objetivo.
  
CL: Você mantém o blog Do lado de cá, onde posta poesias. Você acha um bom exercício?
DD: Eu criei o blog em 2008, incentivada por dois amigos queridos que tinham contato com a minha escrita, os poetas Giliard Ávila Barbosa (Rio Grande - RS) e Marília Flôor Kosby (Arroio Grande – RS). No começo deste ano, desativei o “Do lado de Cá” e passei a escrever em um segundo espaço, chamado “Sombra, silêncio ou espuma. Eu considero fundamental a edição dos dois blogs para o meu processo de amadurecimento como poeta e, sobretudo, pela possibilidade de interlocução com leitores e escritores. Como disse anteriormente, é neste espaço que publico inicialmente, sem a pretensão de ter outras publicações, mesmo considerando excelente a ideia de publicar em diversos meios. Ocorre que a publicação em livro e revistas literárias não levou de mim o desejo de continuar a publicar no blog.  Contudo, tenho a impressão de que os blogs não são lidos com a mesma frequência de tempos atrás, o que lamento. Talvez isso se deva às mídias que permitem que a informação circule de forma mais rápida, como é o caso do Facebook.

CL: Qual a funcionalidade da internet, na sua opinião, para os novos autores?
DD: Considero a internet um meio incrível para a apresentação de trabalhos literários. Há autores que eu jamais teria acessado fora do meio virtual. Penso que da mesma forma eu também não seria lida. Conheci grandes poetas e escritores via internet. Porém, entendo que, no caso da autopublicação, enfrenta-se um desafio: pensar a respeito da qualidade do que é apresentado, e trabalhar no sentido do crescimento, do amadurecimento. Precisamos ler muito, e talvez o desejo da leitura devesse se sobrepor ao da publicação ou, no mínimo, andar lado a lado. A internet contribui para ampliar o acesso à literatura, mas é vital que o material produzido tenha qualidade. Do contrário, como permanecer em dias de tantas urgências em relação ao que se vive e lê?

CL: Você trabalha como professora de Psicologia na FURG - Universidade Federal do Rio Grande. Qual a importância da Psicologia na sua vida? Qual a influência dela na sua literatura?
DD: A psicologia é algo que não se separa do que entendo como a minha identidade, mesmo quando penso nessa identidade como algo em constante construção. É uma grande paixão. Há 18 anos atuo como psicóloga, sendo que nos últimos 10 anos tenho me dedicado ao ensino de psicologia, particularmente de Psicanálise e Psicologia do Desenvolvimento. As influências dessas duas áreas do pensamento psicológico na minha escrita são muito significativas. Na Psicanálise lidamos muito de perto com as relações entre desejo e palavra, com os signos, os sentidos, as metáforas. A imagem de uma boneca russa em uma casa de silêncios é para mim algo muito próximo dos mergulhos psicanalíticos que empreendo no trabalho e na vida pessoal, bem como do meu processo de desenvolvimento da infância até aqui. 

CL: O que você tem lido? E o que indica?
DD: Tenho lido poesia (risos). Muitos livros de poesia: Paulo Leminski, Manoel de Barros, Hilda Hilst, Ana Cristina Cesar, Adélia Prado, Mario Quintana, Alejandra Pizarnik, Nina Rizzi, Lalo Arias, Nydia Bonetti, André Ricardo Aguiar, Eduardo Lacerda, Assis Freitas, Lilian Aquino, Juliana Bernardo, só para citar alguns! Tenho lido muitos poetas que ainda não publicaram em livro, e escrevem brilhantemente em seus blogs.  Em prosa, destaco três escritoras maravilhosas: Andréia Pires, Helena Terra e Letícia Palmeira. Mas a lista é enorme, impossível descrever aqui...


2 Semana Eric Novello: Sorteio!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Na "Semana Eric Novello" a CL sorteará 4 exemplares de obras do autor. Quer saber como participar? Clique no banner abaixo e conheça as regras postadas em nossa página no facebook. 


Não fique de fora dessa, acesse já e participe!

1 O Fantástico Mundo de Eric Novello

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Hoje, no Casulo, um dos escritores mais respeitados dessa nova geração: Eric Novello.


Ele tem quatro livros publicados, participou de grandes antologias, como Geração Subzero, Fragmentos do Inferno e a mais recente, Assim Você me Mata. Pela Editora Draco, em 2012, lançou o seu mais recente A Sombra no Sol e prepara para esse ano, Magos Urbanos, três livros que permeiam o universo de fantasia de temática adulta.

Eric nasceu no Rio de Janeiro, mas mora, atualmente, em São Paulo. Estreou na literatura em 2004 com "Dante - O Guardião da Morte" e, além de publicar seus romances, atua como leitor crítico, copidesque e tradutor. Divide seu apartamento com Odin, seu gato, cultiva alguns cactos e não resiste a uma partida de Mortal Kombat. A seguir, uma entrevista o escritor falando um pouco sobre o início de sua carreira, o hiato que deu na literatura entre 2005 e 2010 e o carinho que cultiva por livros digitais.

Corrente Literária: Você escreve há oito anos, mas houve um hiato grande entre o Noites Cariocas, seu livro de 2005, até o Neon Azul, de 2010. Por que você deu esse tempo?
Eric Novello: Para te responder, vou voltar um pouco no tempo e juntar as peças. 
Quando decidi ser escritor, não sabia se conseguiria estruturar um livro. Eu sentei em frente ao computador e me perguntei: e agora? De onde virão as ideias? Como elas irão se organizar? Eu não sabia nada disso, tinha poucas ferramentas disponíveis. Minha formação vinha da área biomédica e minha biblioteca não era das maiores. Ainda assim, insisti no desafio e daí nasceu o Dante, o guaridão da morte, meu maior romance até o momento. Com ele eu entendi a disciplina necessária para tocar um projeto deste porte e a necessidade de dizer não para os programas e conseguir tempo para a escrita. O Dante me permitiu aprender o básico sobre um livro de entretenimento: eu criei personagens interessantes, fiz uma pesquisa imensapara a ambientação, plantei um monte de reviravoltas, gerenciei um elenco maior que o do Manoel Carlos. Mas era pouco.
Embora o Dante fosse um herói atormentado, eu queria algo mais próximo de mim, mais sincero.Então arrisquei o Histórias da Noite Carioca, um livro de humor. Muito do que está lá são histórias vividas e ouvidas nos meus 20 anos de idade. Ainda assim, havia um problema. Eu não era livre para ir aonde os personagens precisassem, e um autor precisa ser livre, senão nada feito. Por n motivos, eu tinha medo de me expor. O humor do Histórias nada mais é do que uma barreira de proteção, se pararmos para pensar. Ele foi feito para rir, faltava o resto.
Então eu me propus outro desafio, escrever o Neon Azul. E logo em suas páginas iniciais eu fracassei. Eu não tinha o mínimo de condições de escrever o que eu queria. Como autor, eu precisava de mais ferramentas, de maior bagagem cultural. Como pessoa, eu precisava me livrar do medo de ser julgado, eu precisava parar de me esconder. Por isso o intervalo de cinco anos. Nesse período, fui tentando e fracassando dentro daquelas portas azuis.
Junto com a escrita, a vida foi se transformando também. Nesses cinco anos eu comecei a trabalhar, conquistei minha independência financeira e tive a experiência que mudou completamente o meu jeito de pensar: cursar escola de cinema no Instituto Brasileiro de Audiovisual. Nessa época, li mais livros e vi mais filmes do que tinha feito a vida inteira. E, melhor, tive por perto profissionais de respeito para debater o meu entendimento sobre eles. Tive a sorte de conviver com gente sem medo do mundo. Saí da minha zona de conforto e mergulhei de cabeça naquele mundo novo que me convidada a habitá-lo. Para treinar, escrevi dois livros de 60 mil palavras cada. Um deles uma versão de Alice. O outro um policial surrealista. Aceitei convites para algumas coletâneas. Criei uma série semanal no blog para me forçar a textos mais complexos. E, mais importante do que tudo isso, comecei a procurar as chaves das algemas que ainda prendiam meus pulsos.
Tenho um texto de linhas em simbiose com as entrelinhas. A história descrita que faz o leitor imaginar a história de verdade. É assim que meus livros fazem sentido, é assim que minha escrita se sustenta. Como autor, demorei seis anos de prática e estudo para chegar aí, não no ápice, mas na base de um processo que será constante e interminável. A vitória pessoal, essa me custou bem mais, porque não se mede em tempo. Se medeexpondo o peito (às vezes os mamilos), discutindo, firmando o pé para dizer que foda-se o que o mundo pensa, é assim que eu sou.
E só quando a Editora Draco me chamou para publicar com eles eu decidi que estava na hora de atravessar de novo aquela porta e chegar a uma versão definitiva do Neon Azul. Para minha surpresa, eu consegui escrever o livro que eu queria. Exceto por um detalhe ou outro que me escapou, está tudo lá.

CL: Como funciona o seu processo criativo?
EN: Não funciona. É tudo muito caótico. Há algum tempo o meu pensamento não é linear. É por isso que minhas histórias são elípticas. E isso dá um puta trabalho. Para não me perder completamente, tenho algumas manhas. A primeira delas é dividir uma folha em branco em vários quadradinhos e decidir ali, antes de digitar a primeira letra, qual será o tamanho do livro e quantos capítulos ele terá, mais ou menos. Seria como montar a estrutura plástica antes de encher a piscina. Eu preciso recorrer o tempo inteiro a esse papel, me organizar especialmente, para o texto fluir. Não é raro ele se desdobrar em várias folhas coladas no meu painel de cortiça. Em seguida, eu crio os personagens, vejo qual deles carregará a história principal que eu quero contar e em que ponto da vida estarão os demais. Por fim, eu faço um recorte, no melhor estilo Mike Leigh. Essas histórias não necessariamente irão se completar. Haverá pontos de contato e pontos de desconexão. E está bom para mim assim. Um crítico definiu o Neon Azul como uma jamsession, elogiando e criticando ao mesmo tempo. Pois acho uma boa definição para o que faço. É a jamsession que eu quero. Nunca o som redondo do estúdio. Tenho me empenhado muito nisso. Em criar ruído.
Então é isso: divisão espacial, criação de personagens, definição das histórias, escolha do recorte. Depois, muita cabeçada na parede.

CL: Em quase todos os seus livros a noite é o ambiente central. Qual sua relação com o noturno?
EN: Em um primeiro instante, a noite do Rio de Janeiro foi meu palco de libertação, o momento de fuga no qual eu podia respirar mais fundo sem dar satisfação a ninguém. Como conto no Histórias da Noite Carioca, uma amiga me ligou e disse “se arruma e desce que vou passar aí,” sem me dizer para onde iríamos, e com isso eu descobri todo um universo de bares undergrounds e inferninhos onde eu me sentia muito bem, obrigado, e que se tornaram minha segunda casa. Mais tarde, esse universo virou a minha fonte de histórias. Eu me sentia tão bem nesses lugares que bastava estar lá, sentado em um canto, vendo a vida passar, para estar feliz.
A noite, em si, carrega muito drama. Ir ao lugar certo é se cercar de personagens maravilhosos, com a luz perfeita, a trilha sonora correta. Há um curta nacional chamado Velinhas, em que um grupo de amigos conversa em um apartamento e de repente falta luz. Graças à escuridão, os quatro se soltam e a conversa assume um tom mais ousado e sexual. Quando a luz volta, eles se envergonham e retomam uma postura careta. A noite tem essa força, ela mexe com aquilo que mantemos oculto durante o dia, afrouxa as correntes e cadeados que protegem nossos valores e sentimentos. Em um inferninho, não há pessoa com quem você converse que não tenha uma história interessante para contar, longe daquele ideal careta e moralista que muitos fingem ser o padrão. Principalmente depois do terceiro drinque.
Então, parte do baú emocional que serve de base para meus livros foi criado nessa época e eu recorro a ele com frequência. Mais adiante, veio a terceira e última evolução desse processo que foi o meu entendimento sobre o que eu queria escrever e com quem eu queria me comunicar. Eu sou um autor na fronteira entre a realidade e a fantasia. Meus personagens têm uma sexualidade fluida, caminham na penumbra, nem na luz, nem nas sombras. Eles também celebram, cada um à sua maneira, seus rituais de libertação. E por seguir essa trilha cinzenta, a realidade do autor, dos personagens e dos leitores se conectou de alguma maneira.O noturno faz parte do meu DNA.


CL: Seu último livro, A Sombra no Sol, tem como personagem principal um garoto de programa. Como foi escrevê-lo?
EN: Os textos de A Sombra no Sol nasceram no meu site, como um exercício de escrita. Eram pequenos, porque foi muito difícil de encarar a linguagem e a estrutura no começo. Conforme o tempo foi passando, fui ficando mais confortável com a cadência das frases, que é muito peculiar desse livro, e os textos cresceram, foram reescritos.
Como eram publicados semanalmente, eu recebia o feedbackdos leitores em tempo real. As pessoas reclamavam ou comemoravam cada vez que o Ícaro se deitava com um homem ou uma mulher, dependendo da fantasia de cada um. Pediam o retorno ou o afastamento de determinado personagem. Foi um processo gostoso, que me levou à liberdade que mencionei no início.
Dessa maneira, se no início era uma tortura escrever a história, no final eu e o Ícaro já ensaiávamos um novo kama sutra. O fato de ele ser garoto de programa foi a parte tranquila da criação. Ele era o personagem certo para os temas que eu queria abordar, mais um habitante da fronteira. Em A Sombra no Sol, nada está lá de graça. Nenhuma transa acontece por acaso. Os mais atentos perceberão que o Ícaro vive uma jornada completa durante o livro. Ele começa com uma visão de mundo fria e distante, decide mudar por conta do amor, se envolve com alguém e se fode por isso. Seu primeiro impulso é retornar ao mundo frio, mas é impossível para ele voltar a ser quem era. Então ele se perde em um meio termo, sem porto seguro, e o peso dessa perda de identidade leva ao clímax do livro que, no fim das contas, é também o seu começo.
Em suma, a estrutura do texto me desnorteou. Ele ser garoto de programa me divertiu.

CL: Atualmente, você está em duas grandes antologias: Geração Subzero, organizada por Felipe Penna, e Assim Você me Mata, organizada por Claudio Brites. Como é participar de dois projeto incríveis como esses?
EN: Cada passo é uma vitória, sempre. O legal desses dois livros é que eles me levaram até públicos que não me conheciam, o GeraçãoSubzero por ser de uma editora grande com excelente distribuição, e o Assim Você me Mata por ser uma coletânea mainstream. Escrever na fronteira entre a realidade e a fantasia é correr o risco de não agradar a nenhum dos dois públicos. É como ser bissexual e sofrer preconceito de heteros e gays. Então, quando eu tenho a oportunidade de participar de projetos assim e, de quebra, ainda recebo um feedback positivo, eu fico bastante feliz. Não por uma questão de vaidade, mas por um sentimento mais ingênuo. Aquela sensação de que o que você faz pode dar certo, mesmo não sendo convencional.

CL: Alguns de seus livros estão disponíveis em formato digital, os e-books. Você acha que eles funcionam para o público brasileiro?
EN: O Brasil é cyberpunk. Todo mundo tem celular. E você pode ler e-books no celular. Muita gente tem tablets de diferentes fabricantes, e eles também são uma plataforma de leitura de e-books. Aliás, você também pode fazer isso no seu computador. Agora chegaram os e-readersKindle e Kobo, que só servem para ler e-books. Eles deveriam ser muito mais baratos. Estão com um preço absurdo, se comparado aos valores lá de fora. Mas o fato é que eles estão vendendo bem.

Acho que nossa tendência é ser reticente com essas novidades. Tudo que é bacana a gente fica de pé atrás e diz: isso não vai colar no Brasil. Quando tem a ver com cultura então, sejam livros, filmes ou música, somos ainda mais pessimistas. Mas, felizmente, esse pessimismo não reflete a verdade.
Os e-books já funcionam para o público brasileiro. Não darão certo. Estão dando certo. Todas as editoras viram aumento de vendas de 2011 para 2012 e, o que é um dado mais relevante, um pico de vendas no Natal, época da chegada da Kobo-Cultura, iBooks, Google Play e Amazon como portais de venda.
Eu gosto muito de ver meus livros em papel e em e-book, não sou adepto daquela nostalgia do cheiro do papel, não gosto de ácaros.
A Sombra no Sol foi vendido primeiro como e-book, a pedido meu, e só depois chegou ao formato impresso. E suas histórias nasceram na internet. É isso o que eu apoio. Também gosto de ter meus contos vendidos em formato avulso, para que o leitor não seja obrigado a comprar a coletânea inteira para ler o meu material. E pelo que acompanho da Editora Draco, o formato tem se saído muito bem.

CL: Se você estivesse começando hoje, ainda consideraria ser escritor? Como você vê o mercado literário atual?
EN: O mercado literário acompanha os outros mercados. Quando o mundo está em crise, isso se reflete na venda de livros, afinal dinheiro é dinheiro. Nós não podemos esquecer que até pouco tempo o Brasil era um país de analfabetos, e que hoje se tornou um país de analfabetos funcionais. Há pouco mais de dez anos a inflação estava fora de controle, e as pessoas mal tinham dinheiro para comer, imagine comprar livros. Não tem milagre do dia para a noite. É preciso ter estabilidade econômica e investimento em educação e em políticas de estímulo cultural para mudar esse cenário, e isso demora. É uma batalha longa e lenta. Digo isso para não entrarmos naquele papo de “o brasileiro não lê.” É claro que lê. É claro que lê pouco, mas isso não é um dogma. Pode ser mudado.

Sobre ser escritor, estou em uma época de redefinir o papel da literatura na minha vida. Chegou ao fim a fase do deslumbramento. Sei o que quero entregar como autor de fantasia e sei o que quero escrever nos meus livros mais labirínticos. E, mais do que qualquer coisa, sei que não tenho pressa alguma de fazer isso.
Se eu ainda consideraria ser escritor? Sem nenhuma dúvida. Caso contrário, enlouqueço. Se eu teria publicado desde cedo como fiz? Provavelmente não.

CL: Da nova geração, qual escritor/livro você indica?
EN: Por estar mergulhado há dois anos na escrita do meu próximo livro, tenho acompanhado menos do que deveria o cenário literário ao meu redor, então essa resposta será incompleta, e peço desculpas por isso desde já, porque estamos passando por uma época de efervescência, com gente tentando sair da mesmice, mesmo sabendo o preço que isso tem, o que deveria gerar uma lista mais encorpada. 
Ainda assim, tenho três tiros certeiros para dar dentro da literatura especulativa: Jim Anotsu, Cirilo Lemos e Alliah. O Jim tem dois livros publicados: Annabel e Sarah e A Morte é Legal. Ambos com uma pegada juvenil e um texto muito gostoso de se acompanhar, com sacadas inteligentes que te fazem abrir um sorriso. O Cirilo Lemos publicou recentemente o livrão O Alienado e tem um bocado de contos por aí. É um cara muito elogiado. Ele é o nosso Philip K. Dick, com um texto irritante de tão bom, feito para ser incômodo. E a Alliah acabou de lançar a coletânea Metanfetaedro, de textos New Weird que flertam com o bizarro e o irracional. Ela é uma autora que, tenho certeza, verá seu trabalho se desdobrar em outras artes, num jeitão Clive Barker de ser, mas sem eletrodos no clitóris. Diria que é ou será literatura como experiência dos sentidos.
São três nomes para se acompanhar de perto.


E aí? Gostou da entrevista com o Eric? Então aproveita a promoção que começa agora na página da CL no Facebook. Clique no banner e saiba como participar!

3 As chaves de Ranieri

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ranieri Trecha tem 21 anos e mora em Pelotas. Desde muito novo ligado à literatura, Ranieri manteve durante três anos o blog 7 Chaves, mas achou que o espaço limitava suas ideias e sentimentos. É por isso que o Outras Chaves acaba de nascer.
Formado em Análise de Sistemas e trabalhando como Web Designer, o gaúcho conversou com a gente e nos contou os motivos de romper com o 7 Chaves, o que planeja para o seu novo blog e como a literatura aconteceu em sua vida.
Abaixo, a entrevista completa.

Corrente Literária: Qual foi seu primeiro contato com a literatura? E especificamente com poesia?


Ranieri Trecha: O Pequeno príncipe foi o primeiro livro que eu li, aos 7 anos, ainda hoje, é o livro mais incrível que já li, me identifico muito e acredito que desde sempre foi minha fonte de inspiração. 
Mas comecei a escrever realmente aos 12 anos, sempre li muito e sempre gostei de reinventar os contos de fadas, ou histórias que eu já havia lido, também criava histórias envolvendo os meus amigos, era uma forma divertida de expressar muitas coisas, as vezes, próprios sentimentos.
Quando entrei para a faculdade não tive mais tempo para escrever grandes textos, inventar muitas histórias e foi então que tive um contato maior com a poesia, porque em versos rápidos expressava o que estava acontecendo, então comecei a ler mais poesias, exatamente por serem livros mais rápidos e expressivos.

CL: Você acredita que a poesia deva ter moldes?

RT: Não acredito em moldes, escrevo o que sinto, e isso chega ao resultado final: uma poesia. Não me considero um poeta, mas gosto de me ver como um disseminador de sentimentos.


CL:  Seu processo de criação é baseado em quê?

RT: Sou sensível  emocional e humanitário, tudo isso junto faz com que eu queira escrever sobre o que eu sinto, sobre o que eu vejo e sobre quem eu sou. 
Comecei escrevendo poemas com sentimentos abstratos, eu era muito novo, eu não tinha tido uma grande paixão, ou alguém como referência de “amor da minha vida”, depois de um tempo, fui me apaixonando e isso alimentou uma parte de mim que estava de certa forma vazia de sentimentos e daí nasceram praticamente todos os meus poemas, as vezes, é chato saber que alguns dos meus melhores poemas estão associado a algumas pessoas, mas foram sentimentos verdadeiros em algum momento.

CL: Você acaba de lançar o seu novo blog, "Outras Chaves". Qual será o foco?

RT: O 7 Chaves era um blog descompromissado, tudo era escrito, nada era dosado, não havia um grande cuidado estético, era um diário aberto, confidenciei muitas coisas que fiz ou que fizeram em formato de poemas, e as vezes, textos; muitas pessoas entravam nele para saber como eu estava me sentindo, ou qual nova desilusão eu havia sofrido, ou se eu estava apaixonado; eu ouvi muitos elogios por poemas escritos nele, ouvi muitas criticas por algum conteúdo que possa ter chocado um pouco alguns conceitos, e quando eu comecei a cuidar dele, as visitas dobraram e começaram a aumentar constantemente.
Nos últimos meses do ano passado senti que o 7 Chaves estava limitado, ele precisava se reinventar e ele merecia ser valorizado, lá dentro existe toda minha verdade, comecei a reler vários poemas e percebi que era eu em todas as linhas, em diferentes fases da minha vida, na época pensei em desistir dele também, pois não achei necessário expor mais nada, mas não era exposição, era sentimentos. 
7 Chaves se limitou a mim, o Outras Chaves não tem limites, é um blog com pensamentos maduros e personalidade, é sobre a vida, sobre ser adulto, sobre assumir a verdade de tudo que é sentido e vivido. Outras chaves abrem as portas da imaginação e da criatividade que existem em mim para expor detalhes do cotidiano, ora em forma de texto, ora em forma de poemas. O Outras chaves nasceu no momento em que eu assumi o que de melhor tem em mim, e eu quero que ajude as pessoas, de alguma forma, eu quero ajudar as pessoas, e se tudo der certo, em breve ele estará indo além do virtual.

CL: Quais blogs você mais lê atualmente?

RT: Diariamente leio muitos blogs que sigo, por sinal muitos conheci através da Corrente Literária, é uma forma de inspiração e eu gosto da forma diferente como cada pessoa aborda o mesmo tema.
Sou fã do ANTROPOCENTRIA , gosto da forma como o autor descreve os acontecimentos e os fatos.



Gostou da entrevista com o Ranieri? É só clicar AQUI e curtir o que ele escreve.



2 A luz de Leonardo Macedo

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


Leonardo Macedo desde sempre gostou de literatura e de anotar trechos dos seus livros prediletos em cadernos. Com o advento da internet, esse costume passou para a blogosfera e hoje ele mantém um dos blogs mais sensacionais que a Corrente lê e acompanha: "A luz aflora onde nenhum sol brilha". 
No blog ele posta textos de autores consagrados em composição a pinturas e gravuras belíssimas. Há pouco, Leonardo criou a página do blog no Facebook. A ideia é não somente publicar o mesmo conteúdo do blog, mas criar conteúdo diferenciado, rápido e dinâmico para quem acessa a rede social. 

Na entrevista abaixo, Leonardo nos conta como o blog surgiu, como é desenvolvê-lo e um pouco sobre os seus autores prediletos.

Corrente Literária: De onde surgiu a ideia de montar o blog? A composição entre poesia e texto é intencional?
Leonardo Macedo: A ideia surgiu de um hábito antigo que consistia em anotar frases, textos e poesias em um caderno, gostava de ler esses trechos que me marcavam e tê-los todos reunidos em um só lugar, era uma ideia muito boa, então, com a chegada dos blogues eu migrei esse hábito, tive outros dois blogs até chegar nesse formato atual. O processo de criação das postagens é feito de forma muito cuidadosa, para provocar o leitor, mas não há uma regra, posto o que me toca e nem sempre a poesia ou o texto é o fator principal, às vezes, é mero complemento da arte. A ideia é mostrar que a arte, em geral, pode complementar entre si.

CL: Você pensa em publicar seus textos no blog?
LM: Sim, na verdade já posto textos no blog, penso que há um momento certo pra cada texto, poema ou imagem, ele deve vir com dores de parto, com êxtase, o sentir mostra o momento certo para cada composição.

CL: Qual autor (a) você mais lê e posta?
LM: O autor com maior número de postagens é Saint Exupéry, devorei toda a obra dele, que infelizmente é conhecido apenas por Pequeno Príncipe, mas há ótimos livros, como Cidadela, cheio de reflexões e sabedorias do autor, tiradas das próprias experiências vividas. Mas não posso deixar de citar outros preferidos, como Sylvia Plath, Proust e Dylan, são de leitura difícil, densa e por isso inesgotável.


CL: "A luz aflora onde nenhum sol brilha", frase de Dylan Thomas, dá o nome ao blog e a página no Facebook? Por que a escolha?
LM: Vejo essa frase como uma critica ao mundo atual, onde as pessoas buscam a felicidade nas coisas mais fúteis e a tecnologia nos sufoca. É uma frase que remete à nós, ao nosso interior, a luz é o que nos enche de entusiasmo o coração e isso pode ser encontrado na simplicidade das coisas, até mesmo de uma frase ou arte. Por isso a escolha dela para o blog.

CL: Qual livro te marcou mais?
LM: O livro que me encantou e por isso marcou mais, é O Pequeno Príncipe  de Saint Exupéry. É um livro que se transforma, podemos lê-lo em qualquer fase da vida e tirar um aprendizado novo, sua simplicidade e singeleza enchem-nos o coração, é um livro de gente em extinção.


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1 As "Histórias Mínimas" de Maiesse

terça-feira, 4 de dezembro de 2012



Quando a terceira edição da Corrente Literária “Sex: Just do it”  foi lançada, conhecemos a escritora Maiesse Gramacho, brasiliense, jornalista e autora do livro de microcontos “Histórias Mínimas”.  Para quem não sabe, microcontos são contos muito curtos, associados ao minimalismo. No microconto, muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de "preencher" a narrativa e entender a história por trás da história escrita. O livro conta pequenos relatos, histórias e situações que envolvem paixão, erotismo, sensibilidade, e permitem que o leitor viaje e mergulhe nas histórias.

Abaixo, uma entrevista com a autora sobre o livro, como foi o processo, desde escrevê-lo até vê-lo pronto, e a repercussão.

Corrente Literária: De onde surgiu a ideia de publicar um livro de microcontos? E qual foi o seu primeiro contato com o gênero?
Maiesse Gramacho: O minimalismo sempre me seduziu, inclusive no que diz respeito à literatura. Textos curtos, que dizem somente o necessário e deixam o resto por conta da imaginação do leitor, sempre me fascinaram. Essas elipses narrativas típicas do miniconto significam uma liberdade absoluta: o leitor ganha 'espaço' na história. Assim, se torna ainda mais cúmplice do autor, quase um co-autor. É bem bacana isso.
A ideia de publicar um livro de minicontos - sendo justo o meu primeiro - foi algo natural, uma vez que aprecio esse tipo de literatura. Eu sabia que tanto a forma quanto o conteúdo de Histórias mínimas iriam chamar atenção. Afinal, por mais que vivamos no 'mundo dos 140 toques', esse tipo de livro ainda não é comum. Poucos autores se atrevem. Alguns até escrevem minicontos, mas publicar são outros quinhentos. Dos 'grandes', posso citar Marcelino Freire (que, inclusive, organizou o livro Os cem menores contos brasileiros do século), Fabrício Carpinejar e, claro, o maior mestre nesse tipo de narrativa, o 'vampiro de Curitiba', Dalton Trevisan (para quem, aliás, enviei um exemplar de Histórias mínimas).

O meu primeiro contato com esse 'gênero', se podemos chamar assim, foi justamente com Dalton Trevisan. Meu pai, que era professor de literatura, me permitiu fazer leituras 'estranhas' quando eu ainda era muito jovem, e isso me marcou profundamente. Li Dalton pela primeira vez com uns 10 anos de idade e me apaixonei. Sou sua fiel seguidora e admiradora desde então. Outros textos - que não se encaixam no 'rótulo' de minicontos, mas se utilizam de uma linguagem minimalista - também tiveram profundo impacto sobre mim: alguns poemas do Leminski, os haicais da Alice Ruiz, os aforismos do Millôr... Ah, e os contos e romances de Marguerite Duras, a minha preferida. O homem sentado no corredor é o conto que eu gostaria de ter escrito!

CL: Como foi o caminho, desde escrever o livro até a publicação?
MG: Publicar um livro de forma independente é fácil, desde que você tenha dinheiro e tempo para dedicar ao projeto. Meus dois primeiros livros (Histórias mínimas e Sobre medos e flores) foram publicados de forma independente. Ou seja, eu banquei. Contratei uma editora de Brasília, a Kiron, e fiz tiragens pequenas. A minha intenção, era apenas a de reunir meus escritos e divulgar para as pessoas mais próximas - familiares e amigos, basicamente. Mas quando a gente lança um livro, perde o controle sobre o destino dele. Sei que meus livros já estão em acervos de bibliotecas em vários estados, por exemplo.
Os minicontos de Histórias mínimas foram escritos entre 2007 e 2009. Então, quando decidi publicar, o conteúdo já estava todo pronto. Só precisei lapidar um ou outro texto, o que é normal quando se está montando um livro. Sobre medos e flores, por sua vez, reúne crônicas que publiquei em jornais de Brasília, entre 2004 e 2006, e algumas mais recentes e inéditas. Também não foi um processo árduo, uma vez que o 'grosso' do conteúdo já estava pronto. Vale lembrar que a crônica é um gênero muito temporal, então quando se lança um livro assim, é preciso tentar ser o mais atemporal possível.
O meu terceiro livro, atualmente em produção, está exigindo bem mais de mim. A ponto de me exaurir. O conteúdo é todo 'novo', além de ser um livro diferente dos anteriores. Histórias mínimas é ousado, sensual. Sobre medos e flores é leve, divertido. Já este terceiro é, digamos, 'clariceano'.

CL: Qual o sentimento de vê-lo publicado?
MG: Quando eu recebi os exemplares de Histórias Mínimas, confesso, sofri de depressão pós-parto. Rejeitei, achei feio, quis desistir do lançamento, fiquei com gastrite, achei que iriam me criticar, que me expus demais blá blá blá. Coloquei um exemplar no meu criado e fui dormir olhando para a capa, super confusa. No dia seguinte, quando acordei, ele já não me pareceu tão 'feio'... Então, resolvi seguir adiante: lançar e esperar para ter o retorno dos leitores. Até o momento, esse retorno tem sido bom, o que me deixa feliz e confiante para continuar escrevendo!

CL: As histórias relatadas são baseadas em experiências vividas por você?
MG: Todas, absolutamente todas!

CL: Um livro do qual você goste muito?
MG: Gosto de tantos! Gosto demais de Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, de Carice Lispector, de Morangos Mofados, do Caio Fernando Abreu, de Trégua, do Mario Benedetti, Desonra, de J.M.Coetzee, e Uma questão pessoal, de Kenzaburo Oe. Esses são livros que me tocaram de modo especial. Mas eu também amo Marguerite Duras, Dalton Trevisan, Hilda Hilst, Raduan Nassar, Pedro Juan Gutiérrez, Reinaldo Arenas, Charles Bukowski e, claro, o mestre dos mestres, Franz Kafka.

CL: Um autor que te motivou a escrever?
MG: Dalton Trevisan, seguramente. Forma e conteúdo.

CL: Qual das histórias de seu livro você gosta mais? No que você estava pensando quando a escreveu?
MG: Ah, gosto de todas! Mas se tivesse de selecionar apenas uma, eu diria que a preferida é 'Paisagem'. O minconto retrata uma cena que de fato aconteceu - e com uma pessoa de quem gosto muito, mas que, infelizmente, hoje está morando fora do país, no Canadá. Quando escrevi esse texto, tentei resgatar aquela cena insólita, em que duas pessoas que se gostam e se desejam não conseguem se comunicar, se aproximar verdadeiramente, embora vivam o ápice da intimidade, que é o sexo.
  
CL: O que o leitor pode esperar do seu livro? 
MG: Já ouvi dizer que Histórias mínimas é de entortar cabeças... Se é ou não, a modéstia me impede de dizer.

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