A Sétima Arte #5: Entrevista com o Vampiro

quinta-feira, 4 de abril de 2013


“Evil is just a point of view.”





Eles são vampiros apaixonados pela vida. São intensos. São frios e ao mesmo tempo cheio de sentimentos. São contradições vivas. E sobretudo são humanos. Anne Rice cria Lestat, Louis e Claudia. Três Vampiros da New Orleans vitoriana. 

Publicado em 1976 o livro é uma das primeiras obras contemporâneas da “Literatura de Vampiros”. Muito antes de Crepúsculo e da cultura adolescente repleta de monstros e criaturas fantásticas. Entrevista com o Vampiro é a porta de entrada para as Crônicas Vampirescas, uma série de mais de dez livros, e foi um dos embalos da subcultura Gótica nos anos 80 e 90. Com elementos ultrarromânticos, descrições prolixas e uma morbidez constante Anne Rice nos traz até a fazenda de Point du Lac em New Orleans. Após a morte do pai e do irmão, o jovem Louis é obrigado a cuidar das terras da família. No meio de uma desordenada vida de auto destruição, com jogo, bebida e mulheres, Louis conhece Lestat, um “imigrante” francês em New Orleans. Mas Lestat era um vampiro, e não bastasse isto, Lestat era governado por puro descontrole e impulsividade. Lestat era puro ódio pela humanidade. Ao fazer de Louis um vampiro, Lestat acaba criando o mais humano de todos os vampiros. Louis não quer ser vampiro, não aceita a sua condição de imortal e não alimenta-se de sangue humano; come ratos. 

Em 1994 é lançado o filme, dirigido por Neil Jordan (The Borgias), com Tom Cruise, Brad Pitt e Kirsten Dunst respectivamente como Lestat, Louis e Claudia. A ainda jovem Kirsten Dunst nos traz toda a dissimulação de Claudia, notável para uma atriz de apenas 12 anos de idade. Claudia era uma criança condenada. Com a mãe morta pela peste ela se depara sozinha no mudo, até ser aparada pelos braços (e presas) de Louis. E este é um dos conflitos centrais do livros, é correto uma criança ser condenada à uma infância eterna como vampiro? 

Entrevista com o vampiro nos traz personagens intensos. Flerta com questões sensíveis da condição humana. Nos faz pensar se seríamos realmente felizes se fôssemos imortais. Nos faz questionar a “Santidade” da vida. E sobretudo cria personagens muito mais humanos que qualquer um de nós, ainda que eles estejam mortos.

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