Corra, Lola!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013



É sempre noite... a casa está cheia e a mente também. Lola não quer receber os convidados, não está em seus melhores dias, nem lembrou-se ao menos de colocar um sorriso no bolso antes de descer as escadas. Ela sabe que precisa ser cordial, mas não tem ideia de como controlar sua agressividade exasperada. Faz parte daquele kit "mau humor" que alguns usam todos os dias antes de se levantarem da cama. Mas ela sequer teve a chance dormir.
 
Astuta e quase selvagem, Lola é do tipo que adora correr riscos e experimentar novas experiências. Nada pra ela é mais saboroso que o gosto da "novidade". Sóbria, porém, não se deixa afetar por qualquer coisa que lhe possa ser oferecida. Lola é maluca, mas não é louca. E até os malucos sabem a hora de parar de babar (não sabem?!).

A sala preenchida por perfis distintos lhe passa uma sensação de circo armado. Ela até olha pra cima procurando a lona que cobre a multidão, enquanto todos a observam sorrindo, como se fosse a atração mais aguardada. Ela não lhes sorri em retribuição como esperavam.

Às vezes pensamos ser capazes de lidar com tudo e qualquer coisa,  até o momento em que os olhos enxergam aquilo que não querem ver. Os ouvidos também nos traem e os sons, em determinados momentos, causam mais transtornos do que as imagens, pelo simples fato de incitarem a imaginação do ser.
 
Quem nunca desafiou os próprios limites não sabe até que ponto é capaz de lidar ou não com alguma situação, (sobre-) vive na zona de conforto do "Ah, se fosse comigo, agiria assim", mas como ter tanta certeza do que faria se nunca se teve a chance de fazê-lo? Um drama constante e familiar na vida de Lola.

A hora de encarar a plateia chegou. O sorriso que não veio no bolso faz falta. Uma última olhada no espelho. Junto às tranças joviais de menina animada, ela observa as rugas envelhecidas e pensantes que ninguém mais consegue enxergar... apenas Lola sabe que elas estão ali. Soma seus 25 anos no tempo aos 30 ou 40 de experiências que vivenciou até ali. Cada traço como resquício de uma dor sentida. Pena ela não poder dividir.  

Lola tem bom coração e alguns sonhos também.

Para a plateia que assiste... isso é pouco importante. 

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