As "Histórias Mínimas" de Maiesse

terça-feira, 4 de dezembro de 2012



Quando a terceira edição da Corrente Literária “Sex: Just do it”  foi lançada, conhecemos a escritora Maiesse Gramacho, brasiliense, jornalista e autora do livro de microcontos “Histórias Mínimas”.  Para quem não sabe, microcontos são contos muito curtos, associados ao minimalismo. No microconto, muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de "preencher" a narrativa e entender a história por trás da história escrita. O livro conta pequenos relatos, histórias e situações que envolvem paixão, erotismo, sensibilidade, e permitem que o leitor viaje e mergulhe nas histórias.

Abaixo, uma entrevista com a autora sobre o livro, como foi o processo, desde escrevê-lo até vê-lo pronto, e a repercussão.

Corrente Literária: De onde surgiu a ideia de publicar um livro de microcontos? E qual foi o seu primeiro contato com o gênero?
Maiesse Gramacho: O minimalismo sempre me seduziu, inclusive no que diz respeito à literatura. Textos curtos, que dizem somente o necessário e deixam o resto por conta da imaginação do leitor, sempre me fascinaram. Essas elipses narrativas típicas do miniconto significam uma liberdade absoluta: o leitor ganha 'espaço' na história. Assim, se torna ainda mais cúmplice do autor, quase um co-autor. É bem bacana isso.
A ideia de publicar um livro de minicontos - sendo justo o meu primeiro - foi algo natural, uma vez que aprecio esse tipo de literatura. Eu sabia que tanto a forma quanto o conteúdo de Histórias mínimas iriam chamar atenção. Afinal, por mais que vivamos no 'mundo dos 140 toques', esse tipo de livro ainda não é comum. Poucos autores se atrevem. Alguns até escrevem minicontos, mas publicar são outros quinhentos. Dos 'grandes', posso citar Marcelino Freire (que, inclusive, organizou o livro Os cem menores contos brasileiros do século), Fabrício Carpinejar e, claro, o maior mestre nesse tipo de narrativa, o 'vampiro de Curitiba', Dalton Trevisan (para quem, aliás, enviei um exemplar de Histórias mínimas).

O meu primeiro contato com esse 'gênero', se podemos chamar assim, foi justamente com Dalton Trevisan. Meu pai, que era professor de literatura, me permitiu fazer leituras 'estranhas' quando eu ainda era muito jovem, e isso me marcou profundamente. Li Dalton pela primeira vez com uns 10 anos de idade e me apaixonei. Sou sua fiel seguidora e admiradora desde então. Outros textos - que não se encaixam no 'rótulo' de minicontos, mas se utilizam de uma linguagem minimalista - também tiveram profundo impacto sobre mim: alguns poemas do Leminski, os haicais da Alice Ruiz, os aforismos do Millôr... Ah, e os contos e romances de Marguerite Duras, a minha preferida. O homem sentado no corredor é o conto que eu gostaria de ter escrito!

CL: Como foi o caminho, desde escrever o livro até a publicação?
MG: Publicar um livro de forma independente é fácil, desde que você tenha dinheiro e tempo para dedicar ao projeto. Meus dois primeiros livros (Histórias mínimas e Sobre medos e flores) foram publicados de forma independente. Ou seja, eu banquei. Contratei uma editora de Brasília, a Kiron, e fiz tiragens pequenas. A minha intenção, era apenas a de reunir meus escritos e divulgar para as pessoas mais próximas - familiares e amigos, basicamente. Mas quando a gente lança um livro, perde o controle sobre o destino dele. Sei que meus livros já estão em acervos de bibliotecas em vários estados, por exemplo.
Os minicontos de Histórias mínimas foram escritos entre 2007 e 2009. Então, quando decidi publicar, o conteúdo já estava todo pronto. Só precisei lapidar um ou outro texto, o que é normal quando se está montando um livro. Sobre medos e flores, por sua vez, reúne crônicas que publiquei em jornais de Brasília, entre 2004 e 2006, e algumas mais recentes e inéditas. Também não foi um processo árduo, uma vez que o 'grosso' do conteúdo já estava pronto. Vale lembrar que a crônica é um gênero muito temporal, então quando se lança um livro assim, é preciso tentar ser o mais atemporal possível.
O meu terceiro livro, atualmente em produção, está exigindo bem mais de mim. A ponto de me exaurir. O conteúdo é todo 'novo', além de ser um livro diferente dos anteriores. Histórias mínimas é ousado, sensual. Sobre medos e flores é leve, divertido. Já este terceiro é, digamos, 'clariceano'.

CL: Qual o sentimento de vê-lo publicado?
MG: Quando eu recebi os exemplares de Histórias Mínimas, confesso, sofri de depressão pós-parto. Rejeitei, achei feio, quis desistir do lançamento, fiquei com gastrite, achei que iriam me criticar, que me expus demais blá blá blá. Coloquei um exemplar no meu criado e fui dormir olhando para a capa, super confusa. No dia seguinte, quando acordei, ele já não me pareceu tão 'feio'... Então, resolvi seguir adiante: lançar e esperar para ter o retorno dos leitores. Até o momento, esse retorno tem sido bom, o que me deixa feliz e confiante para continuar escrevendo!

CL: As histórias relatadas são baseadas em experiências vividas por você?
MG: Todas, absolutamente todas!

CL: Um livro do qual você goste muito?
MG: Gosto de tantos! Gosto demais de Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres, de Carice Lispector, de Morangos Mofados, do Caio Fernando Abreu, de Trégua, do Mario Benedetti, Desonra, de J.M.Coetzee, e Uma questão pessoal, de Kenzaburo Oe. Esses são livros que me tocaram de modo especial. Mas eu também amo Marguerite Duras, Dalton Trevisan, Hilda Hilst, Raduan Nassar, Pedro Juan Gutiérrez, Reinaldo Arenas, Charles Bukowski e, claro, o mestre dos mestres, Franz Kafka.

CL: Um autor que te motivou a escrever?
MG: Dalton Trevisan, seguramente. Forma e conteúdo.

CL: Qual das histórias de seu livro você gosta mais? No que você estava pensando quando a escreveu?
MG: Ah, gosto de todas! Mas se tivesse de selecionar apenas uma, eu diria que a preferida é 'Paisagem'. O minconto retrata uma cena que de fato aconteceu - e com uma pessoa de quem gosto muito, mas que, infelizmente, hoje está morando fora do país, no Canadá. Quando escrevi esse texto, tentei resgatar aquela cena insólita, em que duas pessoas que se gostam e se desejam não conseguem se comunicar, se aproximar verdadeiramente, embora vivam o ápice da intimidade, que é o sexo.
  
CL: O que o leitor pode esperar do seu livro? 
MG: Já ouvi dizer que Histórias mínimas é de entortar cabeças... Se é ou não, a modéstia me impede de dizer.

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Um comentário:

  1. Maiesse além de escrever divinamente, é dócil e delicada como uma flor.
    Seus contos ou poesias levam qualquer pessoa a pensar, sentir, concluir acho mesmo que ela nos conduz com competência ao devaneio, mas também a razão. Leio tudo que ela escreve gosto muito.

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